• Valéria Leão

#Pelas ruas de Belém

Atualizado: 31 de Jan de 2019

Nasci nas terras quentes do Noroeste Fluminense e por lá me criei. Não tenho notícias sobre algum antepassado nascido nas Terras do Grão Pará ou que, tampouco, para lá tenha migrado.

Desde os primeiros anos de minha adolescência, de uma forma ou outra, o Estado do Pará ronda a minha existência - mas isso já é uma outra história.

Casada que sou há quase três décadas com um paraense de boa cepa,convivendo com uma família que mantém viva as tradições culinárias da terra natal, fui me envolvendo com a cultura daquele estado.

Recebo elogios carinhosos e, suponho, muito sinceros quando reunimos em nossa casa parte da família para agradáveis tardes de sábado ao som das músicas típicas daquela região - Fafá de Belém e Nilson Chaves compõem a trilha sonora desses encontros. São ocasiões em que preparo, entre outras delícias da culinária regional, meu pato no tucupi.

Apesar de ter muito interesse pela cultura daquele estado, só tive a oportunidade de conhecê-lo nos anos da maturidade.

Ao chegar ao aeroporto de Belém, tive a sensação de estar voltando para casa. Me senti segura, apesar de todas as informações que dão conta da violência naquela região.

As ruas da cidade, com seus corredores intermináveis de mangueiras centenárias, conservam ainda o charme do Ciclo da Borracha, apesar do triste abandono de grande parte dos antigos sobrados.

A chuva da tarde refresca o ar e traz consigo uma certa melancolia de tempos passados. O cheiro da terra molhada ainda persiste, mesmo nas avenidas da Capital.

Pelas ruas, nas praças, no comércio, nos pontos turísticos, por todos os lugares, aquele povo moreno, queimado pelo sol dos Trópicos é de uma gentileza ímpar.

A honestidade e correção nas transações comerciais são um caso à parte. Impossível não se encantar quando a expositora da feira da Praça da República vem correndo atrás de você com o troco que havia sido esquecido.

Entrar pela primeira vez na Basílica de Nossa Senhora de Nazaré é uma sensação inenarrável. Admirar sua imagem no centro do altar e poder agradecer por todas as graças recebidas, ali aos seus pés, foi um desses momentos que levarei comigo para a eternidade.

A culinária é um caso a parte. A maniçoba, o tacacá, o pato no tucupi, os peixes, as frutas, os doces, todos com seus sabores e aromas incomparáveis já valem a viagem.

O Mercado do Ver O Peso é a síntese do que há de melhor nesse país. Impossível visitar uma única vez, como é impossível, em um único parágrafo, tentar descrever aquele universo de homens e mulheres guerreiras na labuta diária.

A Estação das Docas, bem ao lado do Ver O Peso, com seus restaurantes, bares e lojas de artesanato, além de música ao vivo e apresentações de danças regionais, exposições e feiras, na orla da Baía do Guajará, é a melhor opção para o final de tarde.

Andando pelas ruas de Belém ou entre as paredes da Basílica, do Teatro da Paz, do Forte do Presépio, das inúmeras Igrejas e Museus que visitei; conversando com aquela gente maravilhosamente mestiça; me deliciando com toda aquela fartura de sabores exóticos, fui tendo cada vez mais a sensação de que em algum lugar do passado minha alma viveu por aquelas paragens.

Se trago comigo lembranças de outras vidas ou, quem sabe, algum vestígio do sangue dos portugueses que por lá desembarcaram ou dos Tupinambás que lá habitavam, não tenho como afirmar. Porém, existe em mim uma identificação genuína com o espírito do povo marajoara

Voltar à Cidade Morena, também conhecida na Belle Époque como a Paris dos Trópicos e navegar novamente pelas águas da Baía do Guajará, assistindo a um show de danças típicas ou rumo à outra deliciosa aventura, por certo faz parte dos meus planos futuros.

A religiosidade, o povo, a cultura, a culinária e tantos outros motivos me deixam com a certeza de que a minha história com aquele estado ainda terá novos capítulos.

Restaurante La em Casa

Estação das Docas

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